Que futuro é esse?

21/10/2023

Segundo uma estimativa do IT Chronicles, geramos todos os dias mais de 2.000.000.000.000.000.000 bytes de dados em todos os setores. Sim, são 18 zeros! Isso corresponderia a mais de 1 trilhão de livros em dados. Ao mesmo tempo, apesar de estarmos no momento de maior abundância de dados na história, continuamos vivendo em um cenário de incerteza.

É da necessidade de compreensão dessa nossa realidade que surgiu o conceito do mundo BANI, apresentado pelo futurologista Jamais Cascio que “desbancou” o conceito do mundo VUCA (mais conhecido) e que ganhou maior visibilidade após os eventos da pandemia de Covid-19. (Ver o artigo “Facing the age of chaos”)

O acrônimo BANI refere-se a quatro principais características observadas na realidade atual, quais são:

  • B (brittle): Frágil. A fragilidade se refere à velocidade com a qual as mudanças podem ocorrer em modelos até então tidos como “sólidos” e altamente estáveis. O trabalho remoto é um exemplo disso. Até 2019, apesar de existir em diversas empresas, ainda não se vislumbrava uma ruptura tão marcante do modelo presencial.
  • A (anxious): Ansioso. Não à toa, o tema da ansiedade e da saúde mental passa a ser crítico para todo o contexto organizacional. Um mundo tão frágil e incerto desperta nas pessoas e nas empresas uma sensação de que qualquer decisão pode ser desastrosa.
  • N (nonlinear): Não-Linear. Há uma imensa dificuldade de compreensão das relações de causa e efeito. Temas como a pauta ambiental, a pandemia, crises econômicas, disputas geopolíticas, entre outros, tornam a dinâmica bastante imprevisível.
  • I (incomprehensible): Incompreensível. Com toda essa incerteza e imprevisibilidade, os acontecimentos reais parecem não fazer sentido. A complexidade de todo o processo aumenta e, portanto, a necessidade de combinar informações dos mais diferentes contextos passa a ser crucial.

A visão de Cascio pode ser dura e desconfortável, porém, traz mais clareza para os desafios profissionais que podemos nos deparar no futuro e, portanto, também nos ajuda a entender como podemos nos preparar para eles. De acordo com a pesquisa “Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial, atualizada em 2020, as 5 principais competências de um “profissional do futuro” são:

  • Inovação e pensamento analítico;
  • Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem;
  • Resolução de problemas complexos;
  • Pensamento crítico;
  • Criatividade, originalidade e iniciativa.

A pesquisa traz, no total, 15 competências e detalha as profissões de alto potencial e os conhecimentos técnicos mais esperados para essas posições. Entretanto, como já vimos com o mundo BANI, os dados nos trazem tendências, não certezas. Nesse aspecto, o peso das soft skills relacionadas à adaptabilidade, criatividade e aprendizagem passa a ser fundamental.

Onde está o papel da liderança nesse futuro?

O futuro que emerge todos os dias demanda de nós, enquanto lideranças, uma perspectiva paradoxal:

  • De um lado, somos cobrados a tomar decisões baseadas em dados, que diminuem os riscos e alavancam os resultados, para que caminhemos em direção a nossas metas, consigamos comparar desempenho com pares de mercado e possamos reconhecer nossos liderados adequadamente;
  • De outro, somos desafiados com o contexto imprevisível que demanda cada vez mais capacidade de improviso, respostas rápidas às mudanças e inteligência emocional para perceber comportamentos, conversas não ditas, comunicação efetiva e situações de conflito.

À primeira vista, tais questões parecem ser conflitantes. Afinal, até metodologias consolidadas de perfil comportamental como o DISC e o MBTI muitas vezes colocam o perfil lógico, racional e crítico como oposto ao perfil intuitivo, emocional e adaptativo. Essa visão de mundo e dos negócios muitas vezes nos limita a pensar de maneira complementar, forçando uma escolha que nem sempre será necessária.

Mais do que isso, as lideranças desse futuro precisarão combinar esses dois universos e encontrar maneiras de integrar a orientação a dados (se antecipar à situação) com a capacidade de adaptação (responder à situação).

O artigo “What Does It Mean To Be A Data-Driven Leader?”, de Derek Steer, e publicado na Forbes Tech Council, traz uma diferença importante entre as lideranças orientadas a dados e as lideranças informadas por dados. As primeiras estão continuamente coletando e analisando dados, realizando perguntas adicionais e tomando decisões com base nelas.

Para elas, os dados não servem apenas para confirmar uma hipótese, mas, sim, para gerar novos insights e também para direcionar a equipe para outros caminhos. Ou seja, se a liderança raramente muda de direção após a análise dos dados, provavelmente está apenas utilizando-os para validar uma decisão já tomada.

Banner com descritivo para download de um ebook gratuito sobre como construir um pipeline de liderança

Como podemos nos tornar essa liderança?

O caminho, então, passa pela busca das conexões entre a liderança do futuro e a liderança orientada por dados, construindo um perfil complementar que saiba navegar pela incerteza (e, por que não, com uma certa dose de intuição) e pelo oceano de dados disponível dentro e fora da empresa.

Alguns exemplos dessa integração passam pelas seguintes competências:

  • Entendimento da estratégia: definição e acompanhamento de metas, compreensão dos dados do mercado e empresas/serviços concorrentes, capacidade de readequar a estratégia às mudanças, comunicação efetiva da estratégia à equipe;
  • Segurança psicológica: mensuração e acompanhamento do engajamento da equipe, criação e otimização dos processos e estrutura organizacional, capacidade de dar e receber feedbacks;
  • Gestão de carreira: acompanhamento e gestão de planos de desenvolvimento, monitoramento dos indicadores de People Analytics, conexão e empatia com cada pessoa do time;
  • Gestão de riscos: compreensão dos processos e regras da empresa, entendimento dos indicadores financeiros e de segurança, velocidade e qualidade na tomada de decisão, capacidade de analisar, construir em conjunto e propor soluções às mudanças.

Apresentar quaisquer tipos de “5 passos para a liderança do futuro” seria uma incoerência com a proposta do texto, afinal, em um mundo BANI, dificilmente saberemos qual será o próximo caminho.

Por isso, a reflexão e a aprendizagem tornam-se as ferramentas mais necessárias para nossa evolução enquanto liderança, descobrindo o caminho enquanto avançamos. Melhor será, portanto, se caminharmos em conjunto, não é?

E você, como está se preparando para liderar no futuro?

Para construir a liderança do futuro, é essencial desenvolver o alto desempenho desde já em seus líderes. Por isso, se você deseja aumentar receita e lucro, diminuir gastos e otimizar processos, conheça a FRST agora mesmo e saiba como aceleramos performance para te ajudar a alcançar resultados reais.

Sobre o autor: Klyns Bagatini é um “aprendedor” em série, aficionado por encontrar e resolver problemas novos. Com forte experiência em Gestão de Pessoas e uma sólida base tecnológica como Engenheiro Mecatrônico e Product Manager, aprendeu a integrar o mundo dos dados, números e tecnologias com o mundo das pessoas, conexões e culturas. Assim, ao longo da sua trajetória, vem aperfeiçoando a capacidade de identificar problemas, entendê-los e cooperar para criar soluções que resolvem desafios cada vez mais complexos. Por isso, sempre mergulha em desafios aparentemente “grandes demais” para ele. Com uma mistura de trabalho duro, pessoas incríveis e uma certa ousadia, teve a sorte de estar sempre envolvido em equipes de alto desempenho que alcançavam resultados inéditos.

Compartilhe

Receba conteúdos sobre times de alta performance direto no seu e-mail

Aproveite e leia também

Paula recebeu um desafio: assumir uma planta industrial no interior do Brasil e resolver um problema para sua empresa, uma grande multinacional

André sempre foi o melhor vendedor de sua região e, por isso, foi promovido a supervisor. Ao assumir seu novo cargo, o

Inúmeras pesquisas apontam que a saúde mental durante a pandemia atingiu o seu pico de estresse. Em uma dessas pesquisas, liderada pela

 Danielle Torres, sócia-diretora da consultoria KPMG, a primeira executiva assumidamente trans do país, compartilhou sua história numa entrevista realizada à Você S/A,

A transformação digital continua sendo um direcionador de investimento das empresas, de acordo com uma recente pesquisa global da Conference Board, com

Em um mundo corporativo cada vez mais complexo e dinâmico, a busca por abordagens de liderança autênticas e centradas na autogestão tornou-se

A diversidade está ligada à representação demográfica, enquanto a inclusão vai além. Incluir é garantir que toda a diversidade existente na empresa

Imagine uma empresa de alto crescimento que precisa executar transações ou trocar informações com stakeholders do mundo inteiro. Ou até mesmo uma

Nos últimos anos tem sido comum empresas que possuíam vantagens competitivas sólidas se verem ameaçadas (ou “disruptadas”) por empresas menores que não

Quase sempre, as grandes ideias não surgem de uma única pessoa ou função isolada, mas sim da interseção de funções ou pessoas

Os avanços tecnológicos do passado iniciaram as jornadas de transformação digital nas empresas, e serão os próximos avanços que moldarão o futuro

A inteligência artificial (IA) está redefinindo a forma como diversas atividades são conduzidas no ambiente corporativo. Uma de suas aplicações mais importantes

Lao-Tzu, filósofo chinês e fundador do taoísmo, sempre dizia que quem conhece os outros é inteligente, e quem conhece a si mesmo é

 Nos últimos anos, o conceito de ESG (Environmental, Social and Governance) tem ganhado destaque no cenário empresarial global. O aumento significativo nas

Resumo A liderança 4.0 é um novo modelo de liderança para a era digital, focado em tecnologia, adaptabilidade, inovação e pessoas. É

O conceito de produtividade no trabalho tem diferentes perspectivas e significados ao longo da história. Dentre essas perspectivas, a mais popularizada é

Em busca de abordagens de liderança mais eficazes e centradas nas pessoas, a liderança consciente surge como uma proposta inovadora e impactante.

Em um cenário empresarial dinâmico e desafiador, a capacidade de identificar e resolver problemas de forma eficaz é crucial para o sucesso

Em um mundo empresarial em constante evolução, a capacidade de adaptação é mais crucial do que nunca.  Nesta exploração aprofundada, embarcaremos em

Muito se comenta sobre metodologias ágeis e seu retorno para as organizações. E pelos comentários, podemos julgar que elas são a resolução

No contexto dinâmico do cenário profissional atual, a avaliação de desempenho não apenas se destaca como um procedimento padrão, mas se revela

Você já deve ter ouvido falar sobre profissional de alta performance no trabalho. Este profissional destaca-se por conseguir alcançar as metas e

Em um tempo de mudanças rápidas e imprevísiveis como o que vivemos, ficar estagnado não é uma opção. E, quando falamos em

A palavra “ética” vem sendo bastante usada em diversos contextos, desde lugares comuns até ambientes corporativos. Mas então, o que é ética

 A liderança é um componente essencial para o sucesso de qualquer organização, e em um mundo empresarial dinâmico, a abordagem de liderança

O mercado de trabalho moderno é dinâmico e altamente competitivo, exigindo que profissionais atualizem constantemente suas habilidades e competências.   No mundo acelerado

Em tempos de ciclos mais curtos a capacidade de se adaptar é crucial. Nesse cenário, o papel do Agile Coach ganha destaque,

As organizações de todos os portes e segmentos estão passando, nos últimos anos, por mudanças profundas na sua gestão e muitas estão

A gestão de equipes é mais do que simplesmente coordenar tarefas. Envolve um conjunto de habilidades e práticas que visam promover a

As equipes de alta performance são fundamentais para impulsionar o sucesso e a competitividade das organizações nos dias de hoje.  Em um

Bem-vindos ao primeiro episódio do nosso Open Talks! Um bate papo aberto e super especial feito pelo time FRST para quem quer

Construa uma equipe de Alta Performance

A primeira e única plataforma onde o colaborador aprende enquanto performa e performa enquanto aprende

 

Encontre materiais e conteúdos da FRST