Liderança e inovação: cultura, comunicação e valores

Espero que todas e todos possam se encontrar muitíssimo bem. Vamos buscar mais uma troca agradável e positiva de conhecimento entre nós, sempre em evolução constante.

Liderança e inovação são temas extremamente atuais. A influência das ações de liderança sobre os resultados dos processos de inovação é muito importante, mas nem sempre evidentes.

A liderança cria e gerencia os meios para que as empresas cheguem aos seus objetivos estratégicos e a inovação garante que as empresas evoluam constantemente e sejam perenes no segmento no qual atuam. Os dois temas estão interligados, em plena evolução e essa é a motivação de nossa conversa de hoje.

Discutimos, então, o mundo tecnológico atual e as funções de uma Liderança Aplicada, em um cenário no qual a inovação é um imperativo para a manutenção das nossas empresas e uma realidade no nosso modo de vida.

Estamos em pleno avanço da Quarta Revolução Industrial, termo cunhado por Klaus Schwab, e da Indústria 4.0, com movimentos de globalização e desglobalização, um mundo hiperconectado, com computação ubíqua, acessível a quase todos, novas tecnologias disruptivas, Inteligência Artificial, IoT – Internet das Coisas, BigData, Realidade Virtual, Metaverso, Impressão 3D, Computação Quântica, Biotecnologia avançada, um aumento da consciência, com Políticas Públicas, ONGs, Sustentabilidade, Sociedade 5.0, Diversidade, Inclusão Social e Digital.

Podemos nos questionar se nos damos conta sobre o nosso contexto real, diário, nas empresas, na família, na universidade e a na sociedade. Esses espaços, palcos e arenas nos quais atuamos estão cada vez mais interligados e “antenados”, se sobrepondo, nos desafiando e nos chamando a ação. Pedindo para que não fiquemos perdidos na pressão do dia a dia, que tenhamos consciência e propósito presentes, olhando para as causas e consequências das nossas decisões e projetos.

Quais são os modelos de liderança existentes?

Esse cenário nos mostra a necessidade de ajustarmos a nossa postura quanto ao tipo de liderança utilizada por nós e os seus efeitos sobre os processos de inovação. Podemos falar no desenvolvimento de competências, de hard e de soft skills, do trabalho do futuro, do rompimento das cadeias de produção, fornecimento de produtos e serviços, mas é no convívio diário que nos encontramos com pessoas, soluções a serem construídas e resultados a serem entregues.

Os desenvolvimentos integrados de nossos Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (C.H.A.), já era apresentado por Scott Perry em 1996 e nos trazem ao ponto central de nossa discussão sobre como elevar a nossa atuação a um nível agradável, sensível e, necessariamente, ao mesmo tempo, assertivo e com resultados palpáveis, diante de mudanças constantes (C.H.A.R.).

A Liderança Aplicada, como chamo, prega o uso de técnicas de gestão modernas, adaptadas ao mundo atual, que roga por soluções time-to-market, no qual as técnicas de desenvolvimento de projetos oscilam entre métodos ágeis e métodos tradicionais, com foco no cliente (Customer Centric), com participação direta de áreas de negócio, marketing, produção, tecnologia e do próprio cliente final, com experimentação e cocriação.

Dessa maneira, nossa provocação passa pelo questionamento sobre os estilos gerenciais que estão sobre a mesa. Como líderes, é preciso questionar qual é o modelo que utilizamos na prática e qual seria o mais adequado à cultura organizacional da empresa em tempos de inovação. E ainda, se estamos estudando, por vontade e consciência próprias, para evoluirmos nessas práticas em um mundo mais colaborativo. Para não ficarmos sem referência, podemos citar alguns modelos de liderança sem, no entanto, nos aprofundarmos em cada um, neste texto:

  • Liderança pela Hierarquia Estabelecida (Organograma, áreas e cargos exercidos);
  • Liderança Autocrática (Foco nos chefes, com centralização das decisões);
  • Liderança Democrática e Colaborativa (Foco no líder, na equipe e nos resultados);
  • Liderança Liberal e Coaching (Foco na equipe e na construção conjunta);
  • Liderança Técnica (Conhecimento, Habilidade, Desempenho e Métricas);
  • Liderança Moral e Persuasiva (Exemplo, Autoridade Moral, Influência e Inspiração);
  • Liderança Situacional (Competências e maturidade dos profissionais).

Mas qual modelo é o mais adequado?

Precisamos, atualmente, da adoção de modelos mistos, para melhor entrega de nossas metas e desafios. Isso independe do que fomos capazes de interpretar até agora, na jornada de liderança à qual nos subordinamos, seja por interesse direto, por nossas vocações ou pelo desenvolvimento natural de nossas carreiras. Os modelos mais rígidos engessam a rápida tomada de decisões, inovação e agilidade, necessários no ambiente mundial que respiramos.

O estilo de liderança faz parte de nossas escolhas diretas e precisa ser ativo, adaptado por nós à situação de criticidade, risco e oportunidade que se apresentem. Mesmo que seja aplicado de acordo com o mercado no qual estamos inseridos, através da nossa personalidade e sob a cultura organizacional existente.

A liderança deixou de ser estática, válida por um longo período de carreira. Pode e deve ter um estilo que inspire, gere motivação e persuasão, indicando os propósitos envolvidos em nossas funções e projetos, com comunicação constante entre pares, hierarquias, colaboradores, clientes e fornecedores. Os nossos chamados stakeholders ativos.

O desenvolvimento de competências, a comunicação em todos os níveis, o uso de metodologias de inovação e tecnologias emergentes, continuam as ser necessários, como ferramentas. Followership para inspirar (ser seguido e seguir), como trazido por Barbara Kellerman, ou o desenvolvimento da Motivação 3.0, indicados por Daniel Pink, para equipes de excelência e autonomia, são visões que podemos perseguir e são alguns dos nossos instrumentos de trabalho.

A inovação constante, nesse diálogo, está presente em nossas corporações e em nossas vidas, sendo um elemento essencial na sua sobrevivência e crescimento. E precisa da Liderança Aplicada para ter sucesso, seja na disseminação de novas tecnologias, em novos modelos de trabalho, novos produtos, técnicas de produção ou no chamado lifelong learning (a aprendizagem como um processo contínuo).

Enfim, uma cultura de inovação constante requer alguns pré-requisitos, dentre os quais pode-se destacar:

  • Uma cultura para inovar, estabelecida, conhecida e apoiada pela organização;
  • Adoção de metodologias (modelos sistêmicos) e/ou Métodos Ágeis (flexíveis);
  • Participação ativa em todos os níveis da empresa;
  • Gestão de Risco, para a discussão do apetite a riscos e aceitação de erros;
  • Descentralização de certos níveis de decisão, para trabalhos em squads;
  • Foco no cliente, com visão de experimentação e uso de métricas de negócio;
  • Uso de tecnologias disruptivas e/ou de melhores práticas do mercado;
  • Open Innovation, coworking e uso das melhores soluções, onde estiverem.

pipeline lideranca

Liderança + Inovação

O estabelecimento de uma ligação direta entre liderança e inovação pode ser discutido em termos diretos, visando o aprofundamento da atuação diária e a obtenção de resultados claros, sejam em empresas privadas, públicas ou ONGs. A evolução das corporações, pequenas, médias ou grandes, é construída pelas crenças e liderança de seus gestores, através de inovação e tecnologia.

A maneira pela qual traduzimos o que devemos entregar, as formas que escolhemos para nos comunicarmos, os instrumentos que utilizamos, moldam nossas entregas, o queremos produzir e quem queremos mobilizar. Essa postura ativa permitirá manter dois fluxos de trabalho, uma “esteira de inovação”, como chamo, e outra “esteira de produção”, ambas cotidianas.

A inovação sempre se dará em paralelo ao funcionamento essencial da empresa, que precisa ser eficiente, confiável e previsível, mas, também, garantir a existência das “esteiras de inovação”, que devem ter capacidade de adaptação às mudanças, com novas soluções. Esse é o “paradoxo absoluto”, discutido por Kotler e De Bes. Somente a liderança pode resolver esta questão com efetividade.

Nosso foco, então, continuará sendo a dinâmica de funcionamento que damos às nossas empresas, em torno do negócio, da cultura organizacional, da cultura de inovação, dos modelos de governança e hierarquia construídos, dos canais de comunicação, valores e ritos estabelecidos entre todos, com maior liberdade de atuação e autonomia dos nossos grupos e áreas.

A estrutura organizacional e os fóruns existentes para governança, análise de riscos, avaliação de pessoas, aprovação de projetos e estratégias corporativas, representam a criação desses canais de comunicação e traduzem os valores da empresa.

Entretanto, os focos de poder oriundos desses instrumentos podem desvirtuar os principais objetivos: manter viva a entrega das metas estratégicas, com agilidade e inovação. A cultura de inovação estabelecida pela companhia, diante do seu DNA primário, suas origens, sua Missão, Visão e Valores, compõe um cenário rico e variado a ser explorado continuamente pelas nossas lideranças.

Vamos sempre em frente!

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Sobre o autor: José Luiz Alves da Silva atuou por 35 anos no ambiente de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) em importantes empresas dos segmentos Financeiro e de Serviços, como: Banco Itaú, Banco Unibanco, Banco Safra, Credicard S/A, Empresas Embratel e Nextel Telecom, Marfrig e Seara Group, TMKT Brasil Contact Center. Atualmente, tem trabalhado com sua própria empresa – JL CONSULTING, com ICT CONSULTING (Tecnologias de Informação e Comunicação) e TREINAMENTO DE GESTÃO, trazendo novas habilidades, comportamentos e inovações para os seus clientes. Além disso, é Mestre em Administração, professor e mentor em outras instituições brasileiras. Seus focos são os resultados e metas, bem como o Crescimento Organizacional e o Cliente Final, em especial. Como mentor da FRST Falconi atua nas Competências de Liderança e Inovação.

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